Archive Page 3
futurível
antes das pessoas entrarem em minha vida, eu as imagino.
Filed under: diariamente | Leave a Comment
ficção
talvez o encontro fosse mesmo o desencontro. ele ia pra longe para não encontrar, para não haver, para o telefone não atender. e se encontro houvesse ainda assim seria desencontro, porque eram dois seres que não se sabiam mas que viviam de gostar do que imaginavam ser o outro.
Filed under: diariamente | Leave a Comment
luto
minhas vivências de luto sempre foram longas e antecipadas. sempre sofri antes da perda, aos poucos, pra que sofresse tudo antes. quitava a minha dívida de dor antes do momento crítico, sofrendo antes pra não sofrer depois. foi assim com os namorados, com o apartamento, com o colégio. e as piores perdas foram aquelas para as quais não fui preparada – as abruptas. dessa vez tenho vivido como nas outras perdas premeditadas. mas é tanto amor deixado pra trás (ou pelo menos deixado distante o suficiente pra não estar ao alcance das mãos) que acho que nem com todo o tempo do mundo daria pra deixar de sofrer depois…
agüenta, coração! (ah a breguice)
Filed under: diariamente | Leave a Comment
pedaços
as agonias alheias passam pra miiiiiiiiim, que nervooooooso.
agora que me deixo querer coisas é um tal de querer e querer e querer mais e só pensar nas coisas.
a vida podia ser mais divertida se eu vivesse de projetar coisas em formato de ovo. mas sem skinner a minha vida seria um erro.
Filed under: diariamente | Leave a Comment
membracis foliata
a viuvinha sempre foi meu inseto favorito, pousando em minhas blusas, com sua presença muda. hoje me veio esse lindo exemplar se oferecendo como modelo fotográfico. quando acabei a sessão de fotos, ela deu um pulo e se escondeu em algum canto das madeiras escuras do apartamento. sua fuga me encheu de uma tristezura porque quis fazer dessa a minha viuvinha de estimação, inseto zebrinha, guardador dos segredos mais secretos – apesar deu andar com segredos cada vez menores. mas ela inventou de continuar a ser livre e saiu a explorar novos cantinhos. fico então com a imagem da viuvinha, sendo a minha zebrinha segredura imaginária.
Filed under: diariamente | 3 Comments
pimenta nos olhos dos outros
que mania boba que as pessoas têm de chamarem de besteira o que é importante pra gente mas não é pra elas! da mesma forma que todo mundo nasce com um nariz, devia também nascer com um órgão gerador de empatia. falta da capacidade de ser empático com os outros devia ser considerado uma aberração, anomalia, deformidade.
Filed under: diariamente | Leave a Comment

certas notícias indigestas abismam a gente porque não dá pra acreditar que se possa ser tão inocente. essa palavra, inocência, devia ser traduzida como o ato de não querer não poder ver. e aí a gente vê que há tanto tempo se enroscou sem querer em estranhas tramas alheias – abismo, abismo. mas mesmo sem enxergar a gente vai trilhando os caminhos mais certos. só pra dizer que gil tá certo quando diz que mesmo quem não tem fé, a fé costuma acompanhar. pelo sim, pelo não.
Filed under: diariamente | Leave a Comment
faço longas cartas pra ninguém
nas aulas as palavras entravam e saíam de mim, sem pousar. a cabeça nas nuvens, outras viagens, pensando no inconfessável objeto fantasiado. também pensei que a psicanálise não me serve como prática, mas é tão poética… e o que é fantasiado me serve pelo mesmo motivo, porque para a vida existente não me serve nem jamais me serviria. para realidade eu tenho o objeto real, supridor de faltas, mais puro dos amores.
Filed under: diariamente | Leave a Comment
inexprimível
trilha sonora pra inauguração do novo observatório lunar:
…and once again, i’ll pretend to know the way
thru the empty space
thru the secret places of the heart
we only come out at night, the days are much too bright
we only come out at night
i walk alone, i walk alone to find the way home
i’m on my own, i’m on my own to see the ways
that i can’t help the days, you will make it home o.k
i know you can, and you can
(i made it home ok, i knew i could, and i did.)
Filed under: diariamente | Leave a Comment
