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19Ago08

acho tao esquisita a mania que o americano tem de transformar tudo em produto anunciavel, propagandavel, adjetivavel! o coco daqui, por exemplo, vem com uma etiqueta que diz EZ-2-break (facil de quebrar). mesmo com tudo isso, um lugar onde quem planta melancias e’ o snoopy nao pode ser tao ruim assim…


outro dia desses, esperando o onibus, estava atenta a tudo a minha volta. e’ interessante como viver sem hora marcada, principalmente num lugar novo, muda a nossa perspectiva das coisas. a gente deixa que o onibus chegue na hora que tiver de chegar, e durante esse tempo presta atencao nas menores coisas, no clima, nas pessoas. a cidade a cada dia me parece mais familiar, principalmente porque os dias sao azuis como no verao de salvador e isso facilita a adaptacao da minha baianidade a este lugar. se nao fosse pela lingua, nao me dava conta de que estava num lugar que nao e’ meu. mas que falta que a lingua me faz. e enquanto esperava o onibus passei a prestar atencao na voz da menina que falava no telefone ao meu lado. ouco uma lingua que claramente nao era ingles. fiquei na expectativa, sera’?, pensando em desenferrujar o meu portugues tao logo ela desligasse o telefone. mas nao, nem, nada, coisa nenhuma: ela falava em espanhol, como pelo menos cinquenta por cento dos imigrantes dessa cidade. e eu fiquei ali, numa brasileirice orfa (ai que falta que o til me faz! “o’rfannn”), escutando portugues onde nao havia.


    aqui em chicago todo ano acontece uma corrida de patinhos de borracha, a windy city rubber ducky derby. para participar voce adota um dos patos que serao jogados no rio. quem chegar do primeiro ao quinto lugar ganha premios. nesse ano nao pude ir, mas quem sabe no proximo?


a vida nova finalmente chegou, e com ela uma casa nova muito antiga com tudo por arrumar. um bairro la fora cheio de verde onde todas as ruas nao-principais me lembram a vitoria com seus quilos de arvores. uma vida nova sem acentos e com estacoes do ano definidissimas. sem amigos de anos por perto mas com estranhos simpaticos me ajudando a carregar uma estante do brecho ate em casa. sem coqueiros mas com maple trees. sem acai mas com cerejas. e a vida vai sendo sem isso mas com aquilo, riacho de novidades, cacho de saudades pra onde quer que eu va.


06Jul08

nervoso nervoso nervoso
que faz não respeitar a meta de ficar longe disso que eu mesma tinha imposto
os tempos mudaram, os tempos
e agora é tudo novo tudo
escolho ficar sem ele pra dar tchau a tudo mas que falta ele me faz
mas não mais
porque em mais algumas várias horas virá o sim
sins plurais, um pecado uma bênção
querer fazer o que todo mundo diz que não dá certo
que com o tempo dá coceira, tristeza, faz do amor sumiço
mas a gente romântico e descrente não liga
e mesmo já tão casados
escovando os dentes boa noite e eu te amo
com tudo isso a gente quer dizer sim
sim que a gente já sabe, que já está dado
e hoje é dia de redizer
na frente de todo mundo, de quem não sabe, de quem quer ver
é dia do sim e eu não consigo dormir


ausência

26Jun08

escrever nesses dias tem sido difícil - pra não dizer impossível – por dois motivos básicos: falta de tempo e de computador. mas logo, logo eu volto, com computador, casa nova e estado civil modificado!


*

10Jun08

Mixwit

(visto aqui)


tirei férias das milhares obrigações e fui ao cinema em plena segunda, assistir sex and the city com meu fiel companheiro de filmes que nem ligou pro fato do filme ser mulherzinha. o filme é bobo e gostoso e levou minha inner perua ao delírio. mas o que me deixou pensando foi toda a conversa sobre relacionamentos e rótulos – como rótulos estragam, como são dispensáveis, como o que importa é sentir. e me sinto boba porque pra mim rótulos são e sempre foram condição primeira para que eu me deixasse sentir, que me permitisse gostar. tive alguns gostares não rotulados que talvez por isso não vingaram, não entram pra estante dos amores cultivados, mas nem por isso me deixaram sentindo menos – alguns me fizeram sentir quase tanto quanto… ah quem sabe um dia me liberto dessas gaiolinhas, desses aprisionamentos, e talvez muitos anos depois me separe do meu marido só pra me desfazer do rótulo já não necessário, mas que continuemos juntos e nos amando muito!… 


rio de janeiro fevereiro e março

algumas impressões de uma visita relâmpago à cidade maravilhosa:

  • estamos nos trópicos mas as pessoas se vestem como se estivessem perto dos pólos. tinha uma mulher na rua com um cachecol bem gordo e um casaco de lã. meio desnecessário, mas enfim, quem não tem frio se contenta com 20ºC pra fazer valer a moda outono-inverno.
  • viajei sem máquina e não tenho registro imagético nenhum dessa cidade linda. deve ser por isso que pra mim o rio é esse lugar que eu olho olho e olho de novo pra registrar seus cantinhos na memória. deve ser por isso que é esse lugar pra onde sempre desejo voltar… quantos suspiros, milhares, guardados só pro rio!
  • a biblioteca nacional é uma lindeza, com suas estantes de seis andares e livros tataravôs. lá tem o menor livro do mundo, do tamanho da unha de um bebê (segundo a guia), mas que não está disponível pra consulta. tem muitos tesouros lá que nós pessoas comuns não podemos ter acesso. no meu grupo de visita guiada tinha um paulista de vinte e poucos que, conversa vai, conversa vem, me contou que estava ali a trabalho. trabalho muito chato esse, ser redator do guia quatro rodas. suspiro suspiro.
  • “parabéns, você foi aprovada. agora você é uma imigrante legal” são palavras que mexem muito com a gente e te dizem que os sete meses de espera não foram em vão e acabaram de acabar!
  •  duas visitas fizeram a viagem fazer ainda mais a pena. uma delas com coxinha em boteco, outra com jazz, sorrisos e silêncios.
  • adoro o jeito do carioca de falar. é um tal de falar o s como se fosse x, colocar vogal onde não tem – naiscimeanto, carióaca, brincadêara, êlêfâinti… reinvenção linda da língua. pra mim, é só falar com sotaque carioca que a pessoa já fica 30% mais bonita.
  • e fechando com chave de ouro, na volta, carlinhos brown estava no avião, com enorme turbante, sentado num poltrona no corredor, prestes a comer barrinha de cereal como qualquer um de nós mortais. sorri sem querer um sorriso enorme e ele constrangido – imagino eu que olhava pra baixo, atrás dos óculos escuros – me deu um “tudo bem?”. parei de olhar pra respeitar  sua privacidade e fiquei pensando como gostaria de dizer que muitas músicas de alfagamabetizado marcaram a minha vida e tantas outras. mas fica pra próxima.

29Mai08

em sua ausência fazia do papel da carta substituto da sua pele, pronto para o toque