Archive for Abril, 2008
pimenta nos olhos dos outros
que mania boba que as pessoas têm de chamarem de besteira o que é importante pra gente mas não é pra elas! da mesma forma que todo mundo nasce com um nariz, devia também nascer com um órgão gerador de empatia. falta da capacidade de ser empático com os outros devia ser considerado uma aberração, anomalia, [...]
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certas notícias indigestas abismam a gente porque não dá pra acreditar que se possa ser tão inocente. essa palavra, inocência, devia ser traduzida como o ato de não querer não poder ver. e aí a gente vê que há tanto tempo se enroscou sem querer em estranhas tramas alheias – abismo, abismo. mas mesmo sem enxergar a gente vai [...]
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faço longas cartas pra ninguém
nas aulas as palavras entravam e saíam de mim, sem pousar. a cabeça nas nuvens, outras viagens, pensando no inconfessável objeto fantasiado. também pensei que a psicanálise não me serve como prática, mas é tão poética… e o que é fantasiado me serve pelo mesmo motivo, porque para a vida existente não me serve nem jamais me [...]
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inexprimível
trilha sonora pra inauguração do novo observatório lunar:
…and once again, i’ll pretend to know the way
thru the empty space
thru the secret places of the heart
we only come out at night, the days are much too bright
we only come out at night
i walk alone, i walk alone to find the way home
i’m on my own, i’m on my own [...]
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brasília
essa cidade com asas me letrou nas escolas da viagem e da saudade.
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das palavras
“palavra é matéria” sartre
ouvi dizer que palavra é potência de afetar. pois as palavras todas com as quais cresci - as quais cultivei, reguei e dei de comer – é hora de guardá-las numa caixa de coisas importantes. agora uma nova língua deve crescer em mim e com isso virão novos jeitos de afetar e ser afetada. conto cada segundo para que esse [...]
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comment te dire adieu
tenho vivido esses últimos dias da maneira mais atenta que posso, porque qualquer coisa pode estar acontecendo pela última vez. dizendo adeus aos cantinhos do único quarto que foi meu, que sempre foi. aí o quarto depois de vinte e três anos passa a ser de outra pessoa: alguém que não nasceu, não dormiu nem nunca chorou [...]
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a novidade era o máximo
com tanta mudança e novidade, as minhas palavras paridas também precisavam de um novo lugar pra ficar. mudamos eu e elas, nós todas. o anticomputador fica lá guardando as dores velhas e aqui ficarão guardadas as alegrias novas.
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